Ex-vice-presidente da Federação Paraibana de Tiro Prático, Fagner Diniz, criticou, na noite desta quinta-feira (26), em entrevista ao Programa Hora H, da Rede Mais e Rádio POP FM, as emendas de quase R$ 2 milhões enviadas pelo deputado federal Cabo Gilberto (PL) à Federação Paraibana de Tiro Prático.
Presidente do Clube de Tiro Diniz, em Esperança (PB), Fagner levantou suspeitas sobre a destinação e disse que os recursos “envergonham” a categoria, já que os atletas da modalidade dispõem de condições financeiras suficientes para praticar o esporte.

“Eu não concordo com isso não. E não só eu, como vários atletas saíram da Federação da Paraíba por causa disso, por não concordar com isso que vem acontecendo. (…) Muitos atletas estão com vergonha, reclamando, falando. E vem falando não é de hoje não. Se você parar e se você for andar nos clubes de tiro, como eu já tinha falado sobre isso, você vai ver que o pessoal não é satisfeito com isso. (…) A gente, quem atira são pessoas que gostam do esporte. Se você parar para analisar, é muito dinheiro sem necessidade”, citou o atirador.
Fagner, que presidente o Clube Diniz, explicou que as emendas não chegam aos atletas que competem profissionalmente no tiro prático e são destinadas exclusivamente à Federação. Ele contou que se desfiliou da entidade por não concordar com “perseguições” do atual presidente.
“Quem foi beneficiado foi uma federação e alguns atletas dessa federação. Clube de tiro nenhum recebeu nenhum real dele. Não chegou nada. E uma das minhas coisas que eu bati na tecla com ele, e falo para qualquer deputado, se quiser ajudar a gente, os clubes, como é que se ajuda? Traz as forças as forças policiais para treinar no clube de tiro. Porque se você for para analisar hoje, os policiais têm pouco treinamento, é pouca munição, pouco recurso”, sugeriu Fagner.
“Eu também fui vice-presidente da federação, como eu não concordei com as atitudes do presidente, eu entreguei meu cargo.Várias coisas que não condiz com o que eu acho que seja correto. Perseguição, ele é um cara que persegue as pessoas, o presidente da federação, se você não for de acordo com o que ele acha que seja correto. Então, para mim, eu não sou de acordo com isso”, citou o atirador.

O que alegou o desembagador
O desembargador Joás de Brito Pereira, do Tribunal de Justiça da Paraíba, negou, nessa quarta-feira (25), o mandado de segurança impetrado pela Federação Paraibana de Tiro Prático contra o governador João Azevêdo (PSB) que pedia a liberação de duas emendas parlamentares destinadas pelo deputado federal Cabo Gilberto Silva (PL) no valor de R$ 1,9 milhão à entidade, sendo R$ 990 mil cada.
A Federação acusava Azevêdo de travar a destinação dos recursos “por motivações de ordem política e ideológica”, já que João e o Cabo militam em lados opostos da política .
O magistrado seguiu o parecer do Governo do Estado e citou que o Poder Executivo Estadual tem a prerrogativa de “analisar a regularidade técnica, a viabilidade jurídica e a adequação da despesa às normas de finanças públicas”.
Joás também pontuou que ao chegar nos cofres do Estado, os recursos oriundos de emendas precisam ser submetidos ao regime jurídico das finanças públicas estaduais e ao controle dos órgãos locais (Tribunal de Contas do Estado), sem prejuízo do controle federal quanto às condicionantes de entrega”.
Fonte MaisPB\Foto: Diário da Manhã



