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O desconforto de Bruna Veras

Na semana que passou após tomar conhecimento do rompimento do PSC de Marcondes Gadelha com o PV do prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, a vereadora sousense Bruna Veras se manifestou “inconfortável”. E o sentimento da parlamentar se forjou em dois pilares. O primeiro, ainda que a quebra da aliança tenha sido em território pessoense, Bruna, embora do PSC de Sousa, é, intrinsecamente, ligada a tudo que diz respeito aos interesses políticos do Prefeito Luciano, que, aliás, é seu tio. Eis ai o segundo motivo.

E nem precisa mencionar que a mistura de política com sangue (família) é tão delicada como espalhar pólvora fumando um cigarro. Se não tiver cuidado, explode tudo. Só esqueceram de lembrar isso a Marcondes Gadelha.

Bom, parece que também esqueceram de avisar ao ex-deputado estadual Renato Gadelha (PSC). Usando de uma estratégia de combate mais ofensiva Renato tachou Luciano de arcaico. Traduzindo: “um velho sem tato para fazer a nova política”.

À sombra desse mais novo episódio, veio da Capital a informação que o governo do Estado, leia-se João Azevedo (Cidadania), e a prefeitura de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PV), já admitem se unir na tentativa de anular de vez um possível ressurgimento do ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) no cenário eleitoral atual. Lembrem-se. Enquete recente em João Pessoa deu Ricardo na cabeça.

Diante desse quadro há duas especulações. Pode não acontecer nada. Mas, Luciano e João podem sim se dá as mãos. Em tal situação, eis aqui o que toda mente fértil pode estar a se perguntar: “E a vereadora Bruna Veras?”. Sim, e Bruna? Que se constituiu vereadora no palanque do prefeito de Sousa, Fábio Tyrone (Cidadania) e hoje marcha numa oposição radical as suas origens, que sentimento nutre além de se encontrar inconfortável?

Arrisquemos, portanto, um palpite: dúvida. Muita dúvida. Diante de uma aliança entre o GE e prefeitura de JP, o óbvio vai exigir de Bruna Veras uma resposta, ou melhor, um posicionamento nada fácil de se consolidar frente as circunstâncias. Se não sair do lugar, com o Grupo Gadelha fazendo oposição a Luciano Cartaxo, será uma estranha no ninho. E ainda mais complicado, sem a certeza de contar com o apoio do ex-prefeito André Gadelha (MDB). Memorizem, o sogro de André já foi exonerado da prefeitura de João Pessoa.

Se voltar às origens deve enfrentar dois dilemas. Haveria território eleitoral na situação para comportar Bruna num universo de onze vereadores todos em processo de reeleição? Digamos que sim, afinal, se faz política com aliança. Então vamos ao segundo. Como a opinião pública assimilaria esse retorno a tão pouco tempo de se sacramentar o voto?

Ah! Uma saída. Marchar sozinha. A possibilidade de se chegar a um lugar sozinho na política é tão irreal como o dia em que pisarmos os pés em Marte. Vai chegar o dia, só não se sabe quando e nem como.

Mediante a provável unificação da prefeitura de João Pessoa com o Governo do Estado, eis aqui situações que, certamente, estão deixando a vereadora Bruna Veras muita mais do que desconfortável. Quiçá, numa grande torcida para que tudo fique como estar. A questão é que as negociações entre Luciano e João não exigem o amém da vereadora. Haja desconforto.

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