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Os sem-voto e o coronavírus

Diante dos números não dá para desdenhar a preocupação com a qual a grande maioria da população encara a Covid-19, mas, convenhamos, também não dá para consumir ouvido abaixo sem questionar a justificativa de parte dos políticos que perdeu as eleições e agora coloca a culpa no coronavirus.

Assim como quem ganhou não justifica a vitória ao famigerado vírus, porque aceitar que os derrotados culpem o ‘bicho’, ainda que pese o fato de se atribuir a notável abstenção ao medo de se contrair a doença. Nem assim! Porque até que se prove o contrário o vírus não discrimina situação de oposição. Ou seja, na fila de votação, ou mesmo antes do último domingo, 15, ele não faria opção ao eleitor por sua ideologia. Do tipo, vou contaminar esse porque ele vota naquele candidato. Portanto, se o vírus foi adversário, assim o foi para ambos os lados.

Um outro detalhe aqui a se elencar. Por que o coranavirus só agora para os derrotados? Ora! A doença não surgiu na campanha e nem tão pouco no dia da eleição. Vem de meses seguido, assim como as informações a cerca do que é e como se evitar a contaminação.

O estranho é que o derrotado de hoje e que acusa o coronavirus do seu insucesso é o mesmo que, em sua sã consciência e conhecimento, não defendeu a não realização do pleito e, sequer, impôs uma opinião voltada a destacar que as eleições acarretariam aglomerações e isso seria um cenário perfeito para a proliferação da doença. Lá atrás, quando acreditava na vitória, que se dane o vírus. Quando perdeu que se culpe o vírus.

A verdade é que esse tipo de justificativa não passa de lábia descarada de perdedores que não tem a dignidade de reconhecer em si próprio os erros e no conjunto das ações da campanha as falhas ou se recusa a enxergar o potencial do seu adversário.

Neste caso sou obrigado a lembrar a desculpa do jogador que ao perder a partida põe a culpa no gramado. Então, como explicar a vitória do adversário que também atuou naquele mesmo “gramado”? A verdade sem meias palavras: competência.

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