A confusão entre a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o pastor Silas Malafaia ganhou novos contornos nesta quarta-feira, 15. Em reação às críticas do líder religioso, a parlamentar tornou pública uma lista de igrejas e líderes evangélicos que foram alvo de pedidos de convocação, convite ou quebra de sigilo apresentados no âmbito da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPMI) do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
O impasse teve início após Malafaia reagir a declarações de Damares sobre o possível envolvimento de instituições religiosas no escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. As suspeitas de fraude são apuradas por uma comissão de inquérito no Congresso, com investigação paralela da Polícia Federal (PF).

Igrejas citadas
Damares afirmou que as informações citadas por ela são públicas e fazem parte dos trabalhos da CPMI. Segundo ela, os requerimentos apresentados se baseiam em indícios extraídos de documentos oficiais, como Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) e dados da Receita Federal, e estão sendo analisados com observância do devido processo legal e da presunção de inocência.
Entre os pedidos apresentados na comissão estão requerimentos de transferência de sigilo de igrejas como a Adoração Church, a Assembleia de Deus Ministério do Renovo, o Ministério Deus é Fiel Church e a Igreja Evangélica Campo de Anatote, além de convites para depoimento e solicitações de quebra de sigilo de líderes religiosos.
Damares destacou que, embora a eventual participação de igrejas em esquemas de fraude cause “profundo desconforto e tristeza”, cabe à CPMI cumprir seu dever constitucional de apurar os fatos com responsabilidade e base documental.

Leviana e linguaruda
A divulgação da lista ocorreu após Malafaia publicar um vídeo nas redes sociais atacando a senadora pelas declarações. No conteúdo, ele cobrou que Damares apresentasse nomes e provas e a chamou de “leviana linguaruda”.
“Uma questão gravíssima dessa, uma acusação desse nível, e a senhora não dá os nomes dos grandes líderes evangélicos e das grandes igrejas que estão envolvidas na falcatrua da roubalheira dos aposentados do INSS? Ou a senhora dá os nomes, ou a senhora é uma leviana linguaruda”, afirmou. Em seguida, acrescentou: “Se a senhora não mostrar com provas e os nomes, a senhora não é digna nem de ser evangélica”.
O embate evidenciou fissuras no campo conservador e reacendeu disputas internas na direita. Em meio à tensão, aliados buscam minimizar o impacto político das acusações. Nesta quinta-feira, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avaliou que divergências pontuais são naturais no processo político e procurou relativizar os atritos dentro do grupo.

Ele minimizou, inclusive, os recentes acenos da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), enquanto o senador busca impulsionar sua candidatura ao Planalto, e afirmou que ainda não chegou a conversar com Michelle sobre o assunto.
“Eu pratico a união, porque esse é o caminho”, disse, reforçando que o foco da disputa está fora do campo conservador. “Nosso adversário não está dentro da direita. Nosso adversário está na esquerda, está nesse atual governo”, completou.
Com O Tempo



