O ex-banqueiro Daniel Vorcaro teria custeado e organizado uma festa em seu tríplex no bairro do Itaim Bibi, na zona oeste de São Paulo, para o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 28 de fevereiro de 2025. O evento teria contado com a presença de garotas de programa, segundo reportagem publicada nesta quinta-feira (15) pela revista piauí.
De acordo com a publicação, mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular de Vorcaro mostram que ele ficou responsável pelos preparativos da festa. Os registros, porém, não esclarecem se o próprio ex-banqueiro participou do encontro.
A organização envolveu sete pessoas: dois motoristas, um chef de cozinha, um mordomo, uma faxineira, um arquiteto e uma agenciadora de garotas de programa. As despesas para receber 15 convidados chegaram a R$ 27 mil, dos quais aproximadamente R$ 21,1 mil foram destinados à compra de carnes e caviar.
Na mesma data, Vorcaro também teria conversado com um interlocutor apontado como Paulo Sergio Souza, ex-diretor do Banco Central, sobre o uso do depósito compulsório — recurso que instituições financeiras são obrigadas a manter no BC — para garantir o funcionamento do Banco Master. Segundo a reportagem, a conversa tratava de uma operação que desrespeitaria as regras do sistema financeiro.
O quarto triplex
Em conversas com o mordomo, identificado como “Michael” na agenda telefônica de Vorcaro, há referências à utilização de um quarto do tríplex pelo ministro e por cinco mulheres, por volta das 20h50.
Mais tarde, às 22h08, o funcionário relatou que as pessoas estavam nuas na piscina e que uma das mulheres havia passado mal e vomitado, mas já estava bem.
Em outra mensagem, o mordomo afirmou que o ministro não demonstrava pressa para deixar o local e que estaria “renovando para começar tudo novamente”. Conforme o relato, Nunes Marques teria saído por volta das 23h15.
Posteriormente, Michael enviou a Vorcaro fotografias que mostravam três preservativos usados sobre um tapete e uma calcinha preta de renda encontrada embaixo de um travesseiro.
Ministro nega
Questionado sobre o episódio e sobre possíveis implicações para sua atuação como relator de processos relacionados ao Banco Master, Kassio Nunes Marques enviou uma nota à Folha de S.Paulo.
Na manifestação, o ministro declarou que nunca autorizou terceiros a falar em seu nome e que não pode ser responsabilizado por conversas ou atitudes de outras pessoas.
A nota também afirma que o magistrado nunca votou a favor de Daniel Vorcaro — destacando, inclusive, que teria votado pela manutenção da prisão do ex-banqueiro —, nunca trocou mensagens com ele e jamais solicitou qualquer benefício.
Fonte: Revista Piauí
Créditos: Polêmica Paraíba



