O atual presidente da Câmara dos Deputados, o paraibano Hugo Motta, do Republicanos, conseguiu uma proeza, ontem, refletida no anúncio do apoio de um bloco de dez partidos, que reunirá 252 cadeiras na próxima legislatura, à sua recondução para o comando da Casa.
A façanha foi assegurada em pleno andamento do segundo turno da eleição para presidente da República e com o conhecimento da posição de Motta favorável à candidatura do petista Luiz Inácio Lula da Silva a um novo mandato, em confronto com o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Capacidade de aproximar adversários
O “Congresso em Foco” pontua que o apoio antecipado recebido por Motta evidencia uma qualidade nem sempre valorizada no ambiente político atual: a capacidade de aproximar adversários sem exigir que deixem de ser adversários, por mais que a eleição ainda venha a ser disputada e a nova composição da Câmara ainda traga outros desafios.
Há resistências dentro do PL, que cogita lançar uma candidatura própria, mas os fados aparentem favorecer o projeto do paraibano, em meio a muitas conversações.
– Em tempos nos quais a estridência frequentemente ocupa o lugar da argumentação, construir pontes pode ser uma das formas mais difíceis e necessárias de exercer a política. ressalta editorial do “Congresso em Foco”, grifando seu reconhecimento à serenidade, à habilidade diplomática e ao espírito público com que o parlamentar paraibano tem conduzido a Câmara Federal.
Sem imposição, mas com diálogo
Motta soube exercer a autoridade sem recorrer à imposição, dialogar sem abdicar das prerrogativas do cargo e preservar a dignidade institucional da Câmara em momentos de acentuada tensão. Não é pouca coisa”, acrescenta o texto.
E emenda:
“Em uma época em que tantos confundem firmeza com intransigência e liderança com estridência, o presidente da Câmara oferece uma demonstração de maturidade política que merece ser reconhecida e exaltada”.
A atuação de Hugo é descrita pelo site como marcada pela disposição de ouvir, pela paciência de negociar e pela firmeza de decidir.
Cita a aprovação unânime da ampliação da isenção do Imposto de Renda, os avanços nas discussões sobre segurança pública e a jornada de trabalho, tudo isso em meio às turbulências de um ano eleitoral, como exemplos concretos da capacidade de articulação do expoente do Republicanos.
Arte de conciliar
“São virtudes que merecem reconhecimento e encômio, sobretudo em uma época tão pouco generosa com a arte da conciliação. Afinal, a autoridade política não se mede pelo volume da voz, mas pela capacidade de fazer com que vozes diferentes encontrem, apesar de tudo, um caminho comum”.
A aliança envolve, naturalmente, interesses partidários e a distribuição de forças na futura Mesa Diretora, mas o “Congresso em Foco” nota que seus integrantes também apresentam a continuidade do diálogo institucional como fundamento da iniciativa.
À frente da Casa desde fevereiro de 2025, Hugo Motta enfrentou um dos ambientes políticos mais polarizados da história recente do país. Divergências entre governo e oposição, embates institucionais e uma disputa presidencial particularmente acirrada transformaram a construção de consensos em exercício permanente de paciência e habilidade política.
Mesmo nesse cenário, a Câmara encontrou espaço para aprovar propostas de grande repercussão social, sendo exemplo a isenção do IR para quem recebe até R$ 5 mil mensais, aprovada por unanimidade. Também avançaram a PEC da Segurança Pública, em março de 2026, e a proposta de fim da escala de trabalho 6×1, aprovada em dois turnos em maio, após intensas negociações.
O coletivo pelas conquistas
– Nenhuma dessas conquistas pertence exclusivamente ao presidente da Câmara. São resultados do trabalho de parlamentares, relatores e lideranças de diferentes partidos. Mas cabe a quem preside a Casa uma tarefa decisiva: organizar a pauta, administrar divergências e criar as condições para que acordos se convertam em votos.
Hugo Motta procurou exercer esse papel sem transformar diferenças políticas em obstáculos intransponíveis. Não faltaram confrontos, obstruções ou críticas.
Ainda assim, a atividade legislativa prosseguiu, inclusive quando o calendário eleitoral passou a disputar com o plenário a atenção dos deputados, conclui o “Congresso em Foco”, lembrando que a história política oferece exemplos de personagens que compreenderam o valor da negociação, como Nelson Mandela, na África do Sul, que encontrou no diálogo com antigos adversários o caminho para a transição democrática no país.
Fonte: Nonato Guedes
Créditos: Polêmica Paraíba



